Entretenimento

Sobre meu amor por ‘Normal People’

Esta que vos escreve tem algo a confessar: muito hiperativa pra ficar quieta assistindo a uma série. Ou seja: pra me prender sossegada no sofá, precisa ser bom o negócio!!! Rs As que me interessam ou interessaram, foram me cativando aos poucos e fui assistindo aos poucos. Algumas outras larguei pela metade… talvez eu precise de um pouco mais de paciência. Enquanto a paciência não vem, venho aqui para deixar registrado o meu absoluto amor por uma série que me encantou!!!! E como de costume: (já fiz isso uma vez, com esta aqui).

Normal People é  uma série do canal Starz Play, que eu assinei através do Amazon Prime. Ela é sobre a amizade e a história de amor de um casal, Connell e Marianne, do colégio à vida adulta. Os dois atores que interpretam o casal são sensíveis e excelentes!!! O diretor da série é o mesmo que dirigiu o filme O Quarto de Jack, Lenny Abrahamson (e que traz a então protagonista deste filme no papel da mãe de Connell, consciente, sensata, sensível).

Nem vou falar da ambientação, da época, da fotografia, da direção de arte, que por si só já destacam a série das outras.

A história começa surpreendentemente revelando uma protagonista que embora tímida e insegura em alguns momentos, se equilibra e se impõe não apenas sobre aqueles que a humilham na escola, mas também deixando claro o que pensa e sente sobre o menino que ela gosta (Connell). A relação que desabrocha dali, entre os dois, é delicada e comovente.

Gosto também de como o protagonista se dissocia dos “arquétipos” que geralmente têm todos os mocinhos das séries (viris, extrovertidos, populares, bad boys, etc), e assume seus traços mais introvertidos, seu jeito sensível, delicado e observador, que tenta se equilibrar entre corresponder ao que o restante da turma espera dele e o que ele realmente sente, pensa e deseja – que é justamente o que o faz se identificar com Marianne.

No entanto, como nem tudo são flores, e como não estamos falando de personagens bons ou maus, mas de uma construção humana e complexa, não há como não se incomodar muito com a maneira como Marianne, ainda na escola, é humilhada por este rapaz: diz que a ama mas não a assume e nem a defende diante dos seus colegas, por quem é ridicularizada todos os dias – uma ferida que não vai ser cicatrizada (e que vai pesar, lá na frente, na relação dos dois).

Com o passar do tempo e todos os encontros e desencontros entre Connell e Marianne, enquanto vão amadurecendo e ganhando novas experiências, vão entendendo que a relação que estabelecem é muito mais profunda e significativa do que eles mesmo imaginavam. Sabe quando o papo, o beijo, o olhar, o silêncio, o sexo flui muito melhor com aquela pessoa do que com qualquer outra que você venha a se relacionar? Assim, eles vão construindo intimidade, confiança, cumplicidade – e se tornando adultos cheios de contradições, incertezas, angústias e mesmo tristezas, de relações de autodestruição, mas que parece ser tudo um pouco mais leve de ser suportado na medida em que eles compartilham tudo isso um com o outro, sentem e sofrem parecido e seguram a mão um do outro quando tudo desaba – mesmo que em completo silêncio.

E a razão pela qual eu amo tanto essa série e não vejo a hora de sair uma nova temporada, é justamente a amizade dos dois, a delicadeza desta relação e como é lindo o jeitinho como eles desenrolam isso ao longo do tempo. Gosto como eles expoem suas dores e suas feridas, fazendo a gente cavar e encontrar as nossas próprias. Não sei e provavelmente não soube explicar meus motivos, pra vocês. Mas toda vez que eu vejo uma construção tão humana, cheia das dualidades, contradições, incômodos e tristezas que nos assolam, e sendo abordadas com tanta delicadeza, fico mesmo encantada.

Uma das últimas cenas, é uma das minhas preferidas: quando os dois falam sobre o futuro, sentados sozinhos no chão de uma sala. Tão novinhos, ainda, mas tão maduros!

É uma série dramática, com momentos complexos, depressivos e difíceis. Mas vale cada minuto do seu tempo, se você gosta de histórias e pessoas delicadas e humanas – assim como eu gosto.

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