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Comparações são perda de tempo – aqui estão os motivos

Prefira um olhar desconstruído e preenchido pela beleza particular de cada personalidade: pessoas, são diferentes.

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Hugo acorda de mal humor. Tom acorda com disposição, balançando o rabinho e procurando brinquedos pela casa. Hugo não é dado à carinhos e meiguices, enquanto Tom é doce e atencioso. Hugo é teimoso e desobediente, enquanto Tom é a obediência em forma de cachorro. Hugo engole um pedaço de frango em meio segundo, enquanto Tom leva três minutos para mastigá-lo. Hugo come primeiro e imediatamente pede um petisco. Tom gosta de comer o petisco pra abrir o apetite, antes de comer. Hugo gosta de sair na rua só pra carimbar alguns postes até esvaziar a bexiga e depois quer voltar imediatamente pra casa, enquanto Tom gosta de caminhar e de explorar lugares, especialmente junto à natureza.

Quando a dona dois dois, que é uma das nossas editoras, notou a diferença entre um e outro, começou a usar abordagens diferentes em vários momentos críticos: o do passeio, o do banho e até o da hora de comer. Entendeu que o que servia pra um, não serviria pro outro. O que funcionava com um, não funcionava com outro. Passou a levar os dois para passear, separadamente. Passou a oferecer comida de jeitos diferentes (dando o petisco pra um antes de comer e pro outro, depois). Passou a dar pedaços menores de frango para Hugo mastigar e maiores para o Tom.

Estamos falando de cachorros, mas poderíamos estar falando de crianças. Irmãos criados pelos mesmos pais, onde um come carne, o outro é vegetariano desde criança. Um é hiperativo e só fica quieto se estiver com febre ou se estiver dormindo, enquanto o outro é caseiro e gosta de desenhar ou montar Lego. Com um dos filhos, a mãe precisa incentivar que ele entre no mar, pois ele tem medo de água. Com o outro, é preciso ficar de olhos bem abertos, já que a coragem pode ser perigosa em alguns momentos.

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Na história da humanidade nunca houve uma mãe (ou um pai) que não tenha se frustrado ao perceber que o segundo filho era completamente diferente do primeiro e, portanto, todas as receitas que se tinha aprendido sobre a criação de filhos e todos os atalhos, foram por água abaixo, já que nenhum deles se aplicava ao segundo filho. Era preciso começar tudo de novo, do zero, com uma criança diferente, que apresentou uma personalidade totalmente diferente.

O problema começa a acontecer quando começam as comparações, do tipo: O meu primeiro filho não dava trabalho pra comer. Ou: o meu primeiro filho largou a chupeta bem cedo. Ou: meu primeiro filho começou a andar antes de completar um ano, ou falar antes de completar dois anos. Pior ainda quando os comparados têm consciência de estarem sendo comparados, o que pode causar frustração e baixa-estima, só pra falar de alguns problemas causados.

É preciso que se tenha conhecimento do perigo das comparações, em qualquer contexto. De comparar outras pessoas. De nos compararmos a outras pessoas. Nós não queremos usar a maternidade como exemplo, porque este texto não é sobre comparações de filhos. O texto é sobre comparações! 

Múltiplos talentos

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Quem nunca comparou o segundo chefe ao primeiro? O primeiro (ou a primeira) era calmo, carinhoso, se interessava por sua saúde, perguntava como estava sua família, exibia sincera alegria com suas realizações pessoais, chamava um táxi quando você precisava interromper o trabalho pra ir até o pronto-socorro. O segundo quer saber qual a data que você vai entregar aquele relatório e ponto final. Se você comparar o segundo, que você passou a ter assim que foi promovida, ao primeiro, entrará em um abismo de frustrações: primeiro porque as pessoas são diferentes. Não há nada que possamos fazer a respeito disso! Segundo, porque o fato de o segundo gestor se comportar diferente do primeiro não significa que ele seja menos amigável e humano do que o primeiro, significa apenas que ele se comporta de maneira diferente. São maneiras diferentes de gerenciamento, são maneiras diferentes de demonstrar afeição e coleguismo. São pessoas diferentes.

Quem nunca comparou filhos, cachorros, namorados? 

Crianças que são sempre comparadas (aos irmãos, aos colegas, aos filhos de outras pessoas) crescem se comparando aos outros. Crescem tentando agradar as pessoas com quem convivem – o o que é ainda mais delicado: se frustram quando não conseguem. O perigo de se comparar com outras pessoas é tão grande quanto o de comparar pessoas com quem você convive.

Comparar não é o mesmo que incentivar

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Comparação social é um processo em que os sujeitos se auto-avaliam comparando-se a outros que consideram próximos, o que os leva a aproximar-se de grupos com características similares as suas (Mackie & Queller, 2000).

O autor viu um lado positivo na comparação. Quando você usa a diferença percebida entre você e a pessoa a quem você está se comparando como incentivo, como um trampolim para aprender ou se desenvolver.

Você percebe que um dos seus colegas é extremamente concentrado e passa a prestar mais atenção no seu próprio foco, durante as tarefas. Você gosta de como uma outra pessoa é diplomática e nunca se exalta durante uma discussão de trabalho, mesmo que esteja lidando com alguém mais fervoroso e nervosinho, e passa a prestar atenção e melhorar suas próprias conversas.  Você acha incrível como uma de suas colegas acredita no produto que vende e o defende até debaixo d’água, em como ela é boa palestrante e capta facilmente a atenção das pessoas e sua admiração faz você absorver estes valores de se trabalhar com paixão e com propósito.

A história perde o lado positivo quando você se sente inferior à alguém, por achar que não tem as mesmas capacidades ou as mesmas características que ele, ignorando o fato de estar usando pesos diferentes para esta comparação que se torna injusta porque as pessoas são diferentes e têm mesmo características e competências diferentes e portanto, caminhos diferentes. Enquanto Hugo se interessa por brincadeiras que tenham interação com sua dona, Tom prefere objetos que possa morder. Enquanto um dos analistas consegue parar uma sala ao entrar em uma reunião, o outro é excelente observador (e conta histórias muitíssimo bem). Enquanto um dos irmãos que falamos acima gosta de falar em público e tem excelente oratória, o outro irmão é detalhista, metódico e muito bom com números. Imaginem como seria injusto – e até bobo! – se a mãe dos dois resolvesse submetê-los à alguma circunstância em que um deles se sente confortável, mas o outro não, com a desculpa de que está tentando desenvolver a criança. Na tentativa de fazer um indivíduo calçar o sapato do outro, nós ignoramos totalmente sua individualidade e deixamos de explorar o seu próprio caminho, as suas próprias competências, as suas possibilidades – quando passamos a compará-lo com caminhos e competências que pertencem à outras pessoas.

Muitas vezes a lupa que usamos para analisar determinada situação só serve pra nós. A régua de cada um é própria, intransferível, não é melhor, não é pior: é particular, é diferente.

Não compare

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As pessoas não sabem lidar com comparações. Crianças absorvem comparações injustas, colecionando frustrações quando não conseguem ser ou agir como o outro e quando notam que desagradam ou frustram seus pais e familiares. Famílias usam os filhos de outras pessoas como referência para os seus próprios – e se frustram, quando percebem que os resultados de suas expectativas não são atingidos (nem poderiam ser, as pessoas são diferentes). Pessoas se frustram quando são comparadas dentro do ambiente profissional e, além de não conseguirem agir em conformidade com o esperado, não conseguem explorar suas próprias particularidades – já que passam o tempo inteiro correndo atrás de serem quem não são e agirem de uma maneira que não lhes é natural. E é assim que perdemos as genialidades. As particularidades das pessoas com quem convivemos, seus talentos, suas sutilezas.

A beleza de eu colocar na sua mão uma situação em que não sou forte, mas você é um  (a) mestre! A beleza de você confiar em mim para manusear algo em que não se sente seguro (a).

Comparações não são só injustas. São perda de tempo. São desperdício – de tempo e de inteligência. Aquele que conseguir desconstruir seu olhar quando se dirige ao próximo da fila, zerar a régua e se abrir ao que aquele indivíduo tem para oferecer – ou para ser lapidado, desenvolvido, conseguirá um diamante para sua vida: o brilho da pureza de um verdadeiro talento e do espaço que ele precisou, pra ser desenvolvido.

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