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Modern Love vai te convencer: as nossas histórias são as melhores histórias

Uma moradora de rua pretende entregar seu filho a um casal homoafetivo que deseja dar um passo a mais e adotar uma criança. Um porteiro tenta fazer a moradora predileta do edifício onde trabalha perceber que pode ser mais seletiva na hora de escolher caras pra sair. Uma jornalista encontra rastros da sua própria história afetiva através da história de amor do seu próprio entrevistado. Um casal tenta se entender através de sessões de terapia e partidas de tênis. Um homem leva um fora e a vida lhe dá uma segunda chance com “a garota que estava passando por perto”, que acaba por salvar sua vida. Um homem de meia idade se apaixona por uma menina que o vê como um pai. Um casal de meia idade reencontra o amor depois de esbarrarem na maratona. Uma moça bipolar perde um cara maneiro, porque não foi pra ele que ela resolveu contar que é bipolar. Histórias tão legais quanto normais – poderiam ter acontecido com qualquer um de nós, não foi com a gente mas foi com outras pessoas – se cruzam nessa série pequena e gostosa de assistir, da Amazon Prime: Modern Love.

O roteiro foi inteiramente baseado em uma coluna que faz bastante sucesso no The New York Times há vários anos e que leva o mesmo nome da série, e dividido em oito episódios (que assistimos em uma tarde).

Modern Love foi a indicação de uma das nossas leitoras, quando nós escrevemos este artigo para indicar boas séries pra vocês assistirem. É uma série leve, que aborda temas entre leves e dramáticos, além de discussões atuais – como a união homoafetiva, a adoção de crianças por casais homoafetivos, transtornos psiquiátricos e a forma como a sociedade lida com eles, a dificuldade de casais que vivem juntos há muitos anos se reinventarem, o luto, as nossas tentativas de acertar e as trapalhadas que a gente faz enquanto tenta, mesmo sem querer. Sem grandes ápices nas histórias, os capítulos acabam te segurando por tanta honestidade nos diálogos e tanta humanidade nas interpretações. É como se eles contassem a minha história, a sua história, do que a gente busca, de quando a gente ama, de quando a gente erra, de quando a gente tenta, ou acredita, ou duvida, ou sente medo. Todas estas discussões (que não pretendem de maneira alguma serem discussões) são abordadas de uma maneira leve e honesta, nos causando aquela impressão de proximidade e de empatia.

Se não por conta do elenco cheio de grandes nomes, como John Gallagher Jr, John Slattery (de Spotlight), Catherine Keener (Um Crime Americano), Anne Hathaway – que dispensa apresentações – e Laurence Possa, excelente como o porteiro Guzmin – você poderia dedicar algumas horas (ou dias) para maratonar a série para se identificar com alguma das histórias, em algum ponto, com algum dos personagens. Porque nós gastamos boa parte da nossa vida em busca de grandes histórias que não existem fora das telonas. Ou porque, melhor dizendo, as grandes histórias das telonas foram baseadas nas nossas histórias. E as nossas histórias são histórias reais, normais, de gente que sente medo, que se sente vulnerável, que sente esperança, que tem sonhos, que têm recaídas, que enfraquece… é por isso que ao final do oitavo episódio de Modern Love, no fim de uma tarde, não achamos que perdemos todas as horas dedicadas à maratona. É bom ver que os textos que mais fizeram sucesso na história do The New York Times são histórias de verdade. Nossos momentos de fragilidade e de vulnerabilidade constroem histórias genuínas, verdadeiras e belas.

No final da série, nos surpreendemos com o roteiro que parecia linear e sem grandes pretensões, fechando com chave de ouro o último episódio.

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