Bem Estar

Ikigai é o nome disso que você busca (e que pode estar bem perto)

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É preciso silêncio, pausa, um pouquinho de contemplação e de consciência plena, para nós nos darmos conta de todas as jóias que já fazem parte da nossa vida, mas estamos ocupadas demais pra notar.

O livro de Ken Mogi, neurocientista japonês, inicia com a história de um dos chefs mais velhos do mundo, proprietário de um restaurante premiado e elogiado pelo então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. O chef de tem seus méritos! Mas, como bem explicou o autor, o elogio do presidente dos Estados Unidos, a sensação de felicidade que este senhor sente ao sair bem cedinho para ir até o mercado de peixes, sentindo o sereno fresco da manhã e o sol, assim como poder cozinhar, são coisas que estão em pé de igualdade. Ele encontrou o ikigai em todas estas coisas, grandiosas ou pequenas.

Não está sozinho. Okinawa, considerada um dos lugares em que as pessoas atingem maior longevidade, está repletas de pessoas que, ultrapassando os 100 anos de idade, dizem que um dos segredos de se viver mais e viver bem, foi terem encontrado seu Ikigai. Se você acha que sua lista de realizações é grande e admirável, se engana. São mesmo coisas simples e bastante pessoais. O Ikigai de um pescador é levantar-se ainda de madrugada para, sozinho, poder se encontrar neste processo de preparação para pescar. Para um fornecedor de atum, o Ikigai é andar por horas e horas no mercado e também se levantar muito cedo para poder encontrar o melhor atum de todos e agradar seus clientes. O Ikigai pode ser aquilo que se sente ao se sentar à tarde, desfrutando uma xícara de café, escutando os pequenos passarinhos dos ninhos do telhado a cantarem baixinho e olhar as flores do quintal do vizinho da frente.

Assim como outros termos provenientes da cultura japonesa, Ikigai não teria uma tradução literal, no entanto as palavras japonesas “ikiru”, significa “viver”, e “kai”, que significa “a realização do que se espera”. É um termo que se usa para indicar a busca pela razão da existência de um indivíduo, a sua busca por um sentido maior, por aquilo que o faz se levantar de manhã, a razão de viver.

No ocidente nós passamos boa parte da nossa vida acreditando que o sentido da nossa vida deve ser algo muito maior do que nós, grandioso, histórico – nós temos mania de grandeza. E pode ser que sim, que seja um grande feito! No entanto, não deveríamos negligenciar a beleza, a sutileza e a poder dos pequenos. De fato, não faltam exemplos de pessoas que encontraram sentido em sua vida doando suas forças, inteligências e sensibilidade por outras – e que portanto entraram para a história. Mas aí vem os japoneses e nos ensinam, com sua simplicidade e despretensão, que você pode ser mais feliz se prestar mais atenção às coisas prazerosas do seu dia-a-dia e identificar entre elas aquilo que a faz feliz.

Como num período de quarentena, que temos sentido tanta falta de coisas tão mínimas, como abraçar ou mesmo tocar a mão de uma pessoa. Como caminhar em um parque ou poder caminhar no Mercado Municipal e sentir o aroma das frutas, das verduras, dos peixes. Os japoneses não precisaram da escassez para conseguirem identificar abundância na simplicidade!

Ken Mogi, autor do livro “Ikigai: Os cinco passos para encontrar seu propósito de vida e ser mais feliz” identifica que podemos encontrar nosso ikigai com as seguintes práticas:

  1. Começar pequeno
  2. Libertar-se
  3. Harmonia e sustentabilidade
  4. A alegria das pequenas coisas
  5. Estar no aqui e agora

Nós vamos deixar para vocês lerem o livro e escutarem as histórias tão gostosas que Ken Mogi conta sobre vários personagens japoneses e te convença, assim como nos convenceu, de que estamos mesmo muito distraídas em nossa correria e procurando valor do lado de fora da gente. É preciso silêncio, pausa, um pouquinho de contemplação e de consciência plena, para nós nos darmos conta de todas as jóias que já fazem parte da nossa vida, mas estamos ocupadas demais pra notar.

Seu Ikigai pode ser o sorriso de uma criança. A companhia do seu pai. A risada da sua mãe. Ou quando seu cachorro lambe o seu pé. Seu ikigai pode ser ir até o mercado duas vezes por semana, ver pessoas, passear. Seu ikigai pode ser tomar sol de manhã, uma xícara de chá, conversar com seu amor. Seu ikigai pode ser beber um copo de água gelada. Pode ser uma playlist. Uma página em branco que você vai preencher com sua escrita. Ou, pode ser uma conquista, pode ser até um elogio. Busque sentido começando pequeno, olhe ao redor e perceba aquilo que já tem. Não se espante se você se der conta de que não precisa mais caçar, do lado de fora, aquilo que sempre esteve com você. 🙂

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