Carreira

Erros e acertos na carreira

No final do dia, nós não estamos falando sobre acertar qual é o caminho correto, ou fazer o que é certo ou errado, mas de boas escolhas.

Em uma das cenas mais importantes do filme inspirado na vida e em uma das obras de uma grande escritora (não diremos quem, para não dar spoilers), ela diz, depois de todos os perrengues por quais passou – entre decepções gigantescas e corações partidos – que faria exatamente tudo igual, se voltasse no tempo. Uma das razões é óbvia: nós nos tornamos quem nos tornamos, por conta de tudo aquilo que nós vivenciamos.

Transpondo essa discussão sobre nossas decisões e escolhas, da vida pessoal para a profissional, você já parou pra pensar alguma vez em sua carreira, se faria alguma coisa diferente? Você acha que tomou as decisões corretas? Você sente que tomou as decisões corretas? Você se arrepende de alguma coisa?

De todas as pessoas que nós entrevistamos, nenhuma disse estar plenamente satisfeita com as decisões que tomou a ponto de fazer tudo igual se voltasse no tempo, assim como nossa personagem-escritora. Todas elas se arrependem de uma das escolhas que fizeram, entre as quais:

  • Profissões erradas: o curso que escolheram fazer na faculdade, não alinhado com o que realmente sentiam vontade de fazer
  • Falta de Disciplina: teriam tido mais disciplina para atingirem metas como aprender uma segunda língua ou aprender em menos tempo do que o fizeram
  • Oportunidades perdidas: Teriam aproveitado oportunidades que deixaram passar
  • Insegurança: Teriam confiado mais em si mesmas – ou, não teriam depositado tanta confiança em todas as pessoas nas quais depositaram
  • Falta de Persistência: não teriam desistido tão facilmente do que desistiram (fossem quais fossem as razões)
  • Falta de Foco: teriam se livrado do que não era importante e que acabou lhes distraindo a atenção do que de fato era.

Você já reparou nessa nossa tendência de enfocar muito mais o lado negativo ou aquilo que nos incomoda, em nossas autoavaliações? Todas as pessoas com quem nós conversamos nos apontaram apenas as coisas negativas. Nenhuma delas nos contou aquilo que de positivo havia feito. Podemos concluir que esta amostra de pessoas com quem conversamos não sentem que acertaram em momento algum?

 Nós não acreditamos nisso.

Quando o erro é nosso aliado

Vamos mexer nessa luminária e conduzir a luz sobre nossos acertos! Primeiro, porque histórias não se constroem só com nossos erros – tampouco só com acertos! Pode ser que para cada acerto nosso, existam 5 erros – já que estamos sempre aprendendo – mas ainda assim, eles existem! Segundo, porque se nós pensarmos no erro não como uma pisada de bola, mas como um aprendizado, ele deixa de ter o peso de um “erro” para se tornar uma lição aprendida.

Todas as escolhas que nós fazemos na vida, têm suas consequências. Importante é que estas escolhas estejam alinhadas com aquilo que faz sentido pra você. Se fez sentido que você tenha resolvido largar a faculdade de jornalismo porque achou que queria escrever literatura e não fazer jornalismo, ok: decisão tomada. O arrependimento aconteceu quando você percebeu que faltou um bocado de autoconhecimento para que se desse conta de que na verdade estava com medo e que seu medo de fracassar na profissão, fez com que tenha tomado esta decisão (largar a faculdade dói menos do que um fracasso). Ainda assim, é um aprendizado.

O fato é que a gente sempre coloca o foco sobre aquilo que achamos que fizemos errado. Está certo que nossa pergunta foi se você se arrepende de alguma coisa – e sua resposta foi muitíssimo honesta, sobretudo com você mesmx. No entanto, o que nos intrigou não foi aquilo que teriam feito se pudessem voltar no tempo, mas o que deixaram de nos contar (e talvez, de se darem conta).

Nem sempre o que chamamos de erros são frutos de escolhas erradas, mas da falta da gente saber exatamente o que busca.

Quando o erro é a importância que a gente dá pra ele

Rafaela recusou, no passado, a oportunidade de uma promoção na área Administrativa de uma multinacional de varejo. Na época, não era a área que ela almejava. “Fiquei muitos anos me culpando por ter recusado esta promoção, até me lembrar que houve uma razão muito forte pra isso: eu estava estudando Marketing e, tanto eu quanto a minha gestora da época achamos que fazia mais sentido esperar uma vaga na minha área”, explicou. “Mas a vaga não apareceu e eu acabei perdendo a vontade de trabalhar e, consequentemente, a produtividade”.

Anos se passaram e ela foi admitida em uma grande empresa na área de B2B, para um cargo administrativo. “Eu mal sabia o que queria da vida, mas sabia que não deveria repetir o erro e recusar boas oportunidades. Lembrei-me de um texto que li um dia, sobre o curinga (sim, a carta do baralho que você usa pra completar aquele jogo que precisa fechar pra ganhar a partida). Deste dia pra frente, passei a andar com a carta do curinga dentro da minha carteira, para me lembrar que eu poderia ser exatamente como ele: me encaixar onde precisasse. Estar onde fosse necessário. Para me lembrar de que eu era flexível para me adaptar à qualquer situação e inteligente, para aprender o que quer que fosse. Foi a melhor decisão que eu tomei.”

Dois anos depois de ter entrado para o time, Rafaela foi convidada a fazer parte da área de Marketing da empresa.

No final do dia, nós não estamos falando sobre acertar qual é o caminho correto, ou fazer o que é certo ou errado, mas de boas escolhas.

Quando o erro é não saber o que a gente quer (ou quem a gente é)

Quando nós te perguntarmos se tem algum arrependimento em sua carreira, o que você vai reavaliar e de que talvez se arrependa, são as escolhas que fez. A parte boa dessa história, é que as decisões que tomar daqui pra frente podem se basear nas decisões anteriores. Li por aí que o lugar onde temos mais medo de entrar, é onde está guardado o que nós buscamos. Nem sempre o que chamamos de erros são frutos de escolhas erradas, mas da falta da gente saber exatamente o que busca. A autora deste texto tinha 19 anos quando achou que não seria uma boa jornalista e decidiu largar a faculdade de Jornalismo. Não dá pra se cobrar autoconhecimento com 19 anos, quando nós estamos começando nosso caminho – e fazendo isso com as próprias pernas. São inúmeras experimentações, recheadas de erros, aprendizados e, ocasionalmente, alguns acertos. 

A melhor resposta pra pergunta que a gente fez, é a da nossa personagem, a escritora do filme. Suas escolhas fizeram você ser quem se tornou – e são elas que te guiam para as próximas escolhas que fará.

O que você faria diferente?

Eu enfrentaria o medo, que me privou de boas experiências. Mas eu não tinha esta resposta, aos 19 anos.

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