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Viva melhor com 3 ensinamentos milenares da cultura japonesa

O Comedimento

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O X da questão é que a comunicação entre o cérebro (a região do hipotálamo) e o fígado, demora cerca de 20 minutos. Ou seja: você ainda está comendo e o cérebro ainda não recebeu a informação de que está saciado.

Eu poderia começar a escrever este texto falando do dia das mães e dos três pedaços de lasanha que eu comi (minha mãe faz uma lasanha incrível). Mas eu vou dar um passo pra trás e voltar alguns anos atrás, também em um dia das mães, quando nós resolvemos comemorar em um restaurante no Bairro Demarchi, em São Bernardo do Campo. Antes de entrarmos no restaurante, notei uma ambulância na porta. Cheguei a perguntar o que a ambulância estava fazendo lá… entendi, cerca de 1 hora depois, quando precisei correr até o banheiro e se tivesse demorado mais um minuto pra fazer isso, teria vomitado na mesa mesmo.

Perdoem-me pela história nada conveniente!  O que aconteceu e não tenho vergonha de contar, porque muitos de nós brasileiros temos esta mentalidade, é que o valor que pagamos para o almoço buffet cobria tudo, poderíamos comer o quanto quisermos.Eu fui comendo um pouco de cada coisa de todas as ilhas, só pra provar de tudo um pouco, não porque estivesse com fome, mas porque nossa mente é gulosa assim. Nossa cultura em relação à alimentação é toda errada. Nós comemos pra passar mal, mesmo, pra abrir o botão da calça, não para nos alimentarmos. Se vamos a um churrasco, passamos a tarde comendo, comendo, comendo, exageradamente e muito além da quantidade de comida que realmente precisávamos para saciar nossa fome, porque é um churrasco e porque comer é muito bom. Minha avó já me dizia que tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Esse ensinamento é Cristão, mas foram os japoneses e sua cultura milenar que vieram à minha mente e me levaram a escrever este artigo. No Brasil, nós não teremos certeza de que aproveitamos um churrasco se não sairmos dele tendo comido exageradamente. E era por isso que havia uma ambulância na frente daquele restaurante! Desde aquele dia eu tento me lembrar de como é ruim comer além do que meu corpo precisa, mas só depois de alguns episódios nos últimos meses em que passei muito mal é que me lembrei de como os japoneses pensam a alimentação de outra forma, a forma correta.

Fui pesquisar. Os japoneses tem um hábito originário de Okinawa, que se chama Hara Hachi Bu: o hábito de comer até estar 80% satisfeito. Existe uma razão científica pra isso! Enquanto comemos, o nosso organismo libera hormônios que transmitem a sensação de saciedade e fome (chama-se grelina). O X da questão é que a comunicação entre o cérebro (a região do hipotálamo) e o fígado, demora cerca de 20 minutos. Ou seja: você ainda está comendo e o cérebro ainda não recebeu a informação de que está saciado. É por isso que os japoneses comem  até se sentirem 80% satisfeitos: para que não se sintam mal, saturando o organismo em um longo processo digestivo.

Não foi isso que fiz hoje, dia das mães, 2020! Comi três pedaços de lasanha, saborosíssima e maravilhosa, que a própria mamis fez (ela tem ciúmes da cozinha dela). Não aguentei ficar acordada nem duas horas depois… acordei sentindo-me pior do que estava quando adormeci. Fui, só então, comer a sobremesa (também uma quantidade exagerada, já que havia várias opções) e a conclusão é que não consegui jantar, porque não aguento mais ver comida na minha frente no dia de hoje!

Todo o filme da ambulância na porta do restaurante veio até a minha cabeça e eu cheguei à conclusão de que os japoneses estão certos. Sabedoria não é deixar para comer a sobremesa duas horas depois do almoço (como eu disse hoje pro meu pai). Sabedoria é conhecer nosso organismo como os orientais o conhecem e não sobrecarregá-lo com mais do que ele aguenta.

Se você quiser saber mais informações sobre esta dieta, este é o artigo mais completo que encontrei.

A Disciplina

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Não é uma questão de inteligência! Inteligência se atribui à leitura, às sinapses cerebrais, a outros vários fatores que não estão restritos à mente dos japoneses. Trata-se de uma questão de cultura milenar: sua disciplina!

As pessoas sempre ficam admiradas com a rapidez e resiliência com que os japoneses conseguem superar desastres e guerras, e a maneira como eles conseguem conviver com estas coisas: viver no Japão e criar um filho no Japão é diferente de criar um filho no Brasil. Lá, você precisa ensinar a criança a como deve agir em situações de emergências extremas como durante um terremoto ou um tsunami. Como sobreviver a isso. Algum tempo depois do último terremoto e tsunami que houve no Japão, lá estavam eles, reerguendo seu país e continuando suas vidas. Quem nunca escutou como os japoneses são inteligentes, quem nunca reparou a quantidade de pessoas nipônicas nas universidades públicas ou em concursos públicos…? Será que eles são mais inteligentes do que os ocidentais? Não! Não é uma questão de inteligência! Inteligência se atribui à leitura, às sinapses cerebrais, a outros vários fatores que não estão restritos à mente dos japoneses. Trata-se de uma questão de cultura milenar: sua disciplina!Os japoneses aprenderam em sua cultura milenar a importância da disciplina e como (isso é muito importante:) a sobrevivência não só individual, mas de todo um grupo, pode depender dela. Eu estava lendo um artigo muito bom hoje à tarde, no Medium, onde uma autora dizia que o segredo para ler 75 livros por ano, neste mundo onde nós gostaríamos de ter mais horas por dia para dar tempo de fazer todas as coisas que precisamos e queremos, é disciplina. Neste caso, ter disciplina significa saber que às vezes, para fazer uma coisa importante, temos que decidir deixar de dedicar nosso tempo às que não são tão importantes. Isso exige mais do que a força do hábito. É preciso ter disciplina! Quer mais inspirações? Veja aqui.

 

A Gratidão

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Essa prática se estendeu até os dias atuais e permeia todas as relações sociais no Japão: aluno e professor, homem e mulher, amigos, família, negócios.

Ainda me recordando do tsunami de 2011 que atingiu o Nordeste do Japão e deixou quase 20.000 pessoas desaparecidas, lembro-me de ter visto uma exposição de fotos em uma estação de metrô de São Paulo, mostrando retratos de famílias que tentavam se reerguer depois das perdas da tragédia. Ou porque tinham perdido tudo o que tinham, ou porque tinham perdido famílias inteiras. Lembro-me exatamente de como me chamou a atenção o fato de que em quase todos os retratos, os japoneses sentiam gratidão, e não amargura. Gratidão por estarem vivos. Gratidão por outra chance. Gratidão pela vida.

Não foi só impressão!  “Giri” (義理) um conceito com raízes no Bushido, poderia ser traduzido como “dever social”: a obrigação que os japoneses sentem em retribuir gestões de bondade ou de favorecimento. Essa cultura provavelmente existe no Japão desde o Período Feudal, onde os samurais sentiam-se obrigados a devolverem favores que recebiam, para manter a harmonia em suas relações humanas e sociais. Essa prática se estendeu até os dias atuais e permeia todas as relações sociais no Japão: aluno e professor, homem e mulher, amigos, família, negócios. A gratidão, no Japão, não é estratégia de marketing, não é assunto de blogs de coachs de comportamento. É uma prática milenar que já está completamente arraigada na conduta dos japoneses. 

Não à toa você provavelmente disse ou ouviu alguém dizer como os japoneses são gentis, educados, não á toa você ou alguém já elogiou a postura de um japonês. Uma das minhas amigas mais delicadas e gentis, sempre preocupada e atenta às pessoa ao seu redor, é filha de imigrantes japoneses.

A internet está cheia de how-tos…aqui nós trazemos apenas três inspirações da cultura japonesa, fáceis de práticar, de absorver, de memorizar. O comedimento em nossa alimentação, repensando nossa maneira de se alimentar (e também de escolher aquilo que nós comemos). A disciplina naquilo que nós precisamos ou nos propomos a fazer em nosso dia-a-dia e a gratidão, por tudo, absolutamente tudo, assim como nossos irmãos japoneses nos ensinam a fazer, no meio de tantos percalços.

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