Bem Estar

Como enfrentar o medo?

Nunca me esqueço de uma frase que uma irmã disse quando soube que tinha (tenho) medo de andar de avião. “Está tudo na nossa cabeça, Mê”.

Fiquei um bom tempo pensando nisso. Sim, boa parte das razões dos nossos medos são criadas pela nossa própria mente. A gente precisa se conhecer bem pra saber quando isso está acontecendo.

Não foi sempre assim. Você tem que ser absolutamente honesta consigo para ter clareza de que uma boa porcentagem deste medo provém de fantasmas que você mesmo cria, em algum momento, por algum motivo.

Sempre tive bem claro pra mim que todas as vezes que enfrentei algum medo e saí da minha zona de conforto, me surpreendi de muitas formas, como ao perceber que de fato  meu medo na realidade era uma fantasia. Por isso não é muito difícil eu encontrar coragem para enfrentar algum tipo de medo que eu tenha, de medinhos pequenos a medo gigantescos.

O medo de andar de avião era um destes medos muito grandes que me impediu durante muito tempo de desfrutar coisas boas da vida, como viajar e conhecer outros países. Trabalhei em duas companhias aéreas e poderia mesmo ter conhecido vários países mas preferi (na época) doar minhas passagens para as minhas irmãs. Não me arrependo, porque eram minhas irmãs. Elas conheceram Nova Iorque, a Europa toda, Buenos Aires.

Mas o tempo foi passando e eu fui sentindo falta disso. Fugi o quanto pude de uma viagem internacional. Mas um dia, não deu pra fugir e precisei enfrentar o medo.

O que eu fiz pra fazer isso, é uma técnica muito boa que vou ensinar pra vocês!

Conhecimento

Quando você souber que tem a chance de enfrentar um dos seus medos, ao invés de fugir da oportunidade, enfrente-a. Como? Passando para o lado dele: Pesquise tudo sobre aquilo que te causa medo. Se seu medo é de avião, como o meu, o que você vai fazer? Entrar no YouTube e pesquisar tudo sobre aviões. Foi o que fiz!

Vi inclusive vídeos de turbulência, pra entender qual o nível de turbulência do qual não preciso sentir medo. Vi vídeos de pilotos e comissários explicando como funcionam as aeronaves e também vi um vídeo que explicava direitinho por que acontecem as turbulências.

De modo que quando eu estava no avião e vinha uma turbulência, eu pensava: ok, você sabe por que isso acontece e que não vai acontecer nada de grave porque o avião foi feito pra suportar isso. Consegui!

Eu também sabia que quanto maior uma aeronave, mais alto ela ia e portanto mais estável ela ficaria, no ar, já que a aeronave se posiciona acima das nuvens. E o contrário é verdadeiro, quanto menor a aeronave, mais suscetível à turbulências ela está, já que não consegue subir muito alto.

Então eu entendia, quando o avião precisava baixar a altitude para fazer um pouso, porque ele balançava mais.

Engane o seu medo

As minhas férias estão chegando e eu pensei em fazer a Travessia do Vale do Pati, uma travessia incrível na Chapada Diamantina, com pernoite em casa de nativo. O problema é que nas trilhas, tem cobras. Muitas, venenosas. Muitas, da cor do chão. Fiquei em pânico: eu nunca vi uma cobra na minha vida, que não fosse dentro do Instituto do Butantã ou do Zoológico. Como será minha reação ao tomar um susto com uma Jararaca na minha frente??? Então comecei a frequentar os canais do YouTube especializados em répteis e em cobras. Aprendi algumas coisinhas! rsrs

Por exemplo: se você encontra uma cobra pelo caminho que faz toda uma cena dramática te ameaçando, as chances desta cobra ser venenosa são mínimas. As cobras não-venenosas têm esta técnica para assustar as pessoas, já que elas não tem veneno algum (apelam para a interpretação rs). Também aprendi que a cobra venenosa fica mais na dela, à espreita, e geralmente só vai picar você se você assustá-la de alguma forma: se pisar nela, se esbarrar nela, se tocar nela, se ela se sentir ameaçada de alguma forma. Aprendi também que cobras têm hábitos noturnos (ufa) e que de manhã elas preferem ficar mais na delas. Aprendi que é furada tentar diferenciar uma cobra venenosa de outra não venenosa pela cabeça – porque há cobras não venenosas com a cabeça triangular, também (como a jibóia). E que a forma mais garantida de fazer isso é verificar a presença da fosseta loreal, um buraquinho que fica entre os olhos e o nariz, um órgão ligado à temperatura térmica ambiente.

Bem, as férias ainda não chegaram e eu não sei, mesmo, se terei coragem de enfrentar a trilha – porque ainda tenho meus receios (eu tenho medo de não enxergar a cobra que é da cor do chão e acabar pisando nela). Mas o medo é menor do que era no início.

Agora eu sei mais sobre a fonte do meu medo (a cobra) e certamente vou saber lidar melhor com ele – por exemplo, sabendo como evitar acidentes e como me proteger.

O desconhecido

Geralmente o medo está relacionado ao desconhecido. É mais fácil lidar com ele, quando você sabe onde está pisando. E ter consciência se tal medo que você sente é real ou fantasioso, se ele surge de um cenário totalmente conhecido pra você ou se você não faz ideia alguma deste cenário, é um ótimo passo para saber qual o próximo passo e se preparar melhor pra enfrentá-lo.

Acredito que conhecer o fruto do seu medo é o primeiro passo para entender de onde este medo surgiu e até saber mais sobre você mesma. Invariavelmente você vai perceber que nem sempre o tal medo era real.

No meu caso, depois de ter enfrentado três voos em menos de 24 horas, não perdi o medo, mas aprendi a lidar com ele, de uma maneira que não vai me impedir mais de viver o bom da vida.

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