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[Consumismo na rede]: Você está sendo manipulada?

[Nota da autora: este texto NÃO é uma crítica às blogueiras. Eu digo claramente que elas estão fazendo o trabalho delas. Este texto NÃO é uma ode à São Francisco de Assis – viver na pobreza. Este texto é pra gente parar pra pensar e estabelecer limites, APENAS isso. Sigamos o baile:]

Estive pensando…

Um dos meus passatempos favoritos é ver vídeos no YouTube. E entre os vídeos que mais tenho visto e tenho gostado de ver estão o de maquiagem, comprinhas, roupas, etc. Acho que poucas mulheres não gostam destas coisas!!! Só que navegando na internet, entre um blog e outro, entre todos os canais que gosto, entre todos os “vídeos de favoritos” e de “comprinhas do mês”… eu tenho cada vez mais a percepção de duas realidades das quais a gente nem sempre se dá conta:

  1. Nós não somos blogueiras, não ganhamos coisas, não temos como entrar na Sephora e gastar R$1000,00 e trazer 3 produtos importados pra casa.
  2. O quanto nós somos induzidas a consumir, a partir destas coisaradas todas que a gente assiste – e isso é um lance psicológico muito doido que nem as blogueiras e nem a gente se dá conta que existe e que acontece com a gente.

Parte da renda das blogueiras é com a publicidade das lojas cujas marcas elas se identificam e vice-versa. Elas sempre estarão fazendo vídeos de comprinhas, favoritos, recebidos e o escambau. A única diferença entre elas é nós é que elas ganham tudo aquilo e nós temos que comprar! hahahaha E quem não quer sair comprando e testando tudo quanto é cosmético, maquiagem, roupa, sapato e bolsa, pra ser mais bonita, pra ser mais respeitada, mais admirada?

Eu cheguei a surtar, sim, mas só com maquiagem. Quando vi estava com uma maleta com mais produtos do que eu realmente preciso. Estava esperando o cartão virar pra comprar aquela paleta dos meus sonhos. Aí foi que comecei a me perguntar se não me dava conta do quão ridícula eu estava sendo, se de fato eu achava que preciso daquilo, o que eu estava querendo com tudo aquilo. E sabe o que fiz? Saí doando várias coisas entre as quais eu tinha, pra não acumular tudo. Me lembrei de “O Poder do Hábito”, em que o autor diz que a gente precisa começar a se perguntar quando sai pra comprar alguma coisa, que desejo nosso está sendo satisfeito quando a gente compra essa coisa. Se eu saio pra comprar um brigadeiro todo dia de tarde, por que raios eu faço isso? Pra suprir a minha ansiedade. E o que posso passar a fazer para continuar a suprir minha ansiedade sem aumentar minhas chances de ter diabetes?

Por que eu compro tanta maquiagem? Ou sapatos? Ou bolsas? Ou seja lá qual seja nosso vício? Por exemplo: eu compro maquiagem porque abrir um site e comprar maquiagens passou a ser uma das minhas alegrias e motivos de satisfação; me dei conta que é O MOMENTO DE COMPRAR que me traz mais satisfação interna, de entrar no site, escolher, esperar a compra chegar. Doido isso né? Olha só o que a internet pode fazer com a nossa cabeça, mulherada!!! Mas enquanto eu alimento essa “alegriazinha”, eu vou torrando meu dinheiro e depois no final do mês reclamando que estou sem dinheiro, além de alimentar um lado consumista que não vai me levar à lugar algum (e que não é prejudicial só pra mim).

Então me perguntei o que eu podia fazer para continuar a ter estes tipos de “pequenas alegrias”, sem fazer mal pro meu bolso e pro planeta. Descobri algumas respostas:

  • usando e cuidando do que eu já tenho 😛
  • levando meus dogs pra dar uma volta e curtindo um passeio num dia de sol
  • tomando café com chocolate de menta
  • navegando no Pinterest
  • frequentando o grupo Make Up Revolution no Facebook e trocando muitas experiências legais com as manas de lá.
  • etc.

Você entendeu onde eu quero chegar com este texto? O que mais tem lá no YouTube são vídeos de meninas que levam a vida como blogueiras, compartilhando os produtos que elas usam no dia-a-dia, as makes que elas têm, as roupas que elas compram, as viagens que elas fazem. E tudo isso é parte do trabalho delas. O que a gente realmente precisa fazer é não se deixar ser INFLUENCIADA por isso. É ter o CONTROLE da nossa cabeça. a partir do nosso desejo de ser igualmente bonita, poderosa, bem sucedida, respeitada, admirada… nós passamos a consumir os mesmos tipos de coisas e frequentar os mesmos lugares. E forma-se então um ciclo vicioso que agrada à beça os marqueteiros das marcas. Quem já assistiu uma aula de marketing sabe o que estou dizendo:

O marketing vive de criar demandas. 

 

…ele não fica esperando a demanda acontecer. Ele vai lá e cria. E então tá feito o estrago: você agora acha que não consegue mais viver sem uma água termal. Mas há chances enormes de existir alguém na sua ascendência (mãe, tia, avó) com a pele impecável usando a latinha azul do creme Nivea e água da torneira a vida toda.

É saudável você assistir um vídeo e ver que a Bioderma é uma ótima marca de água micelar, que não tem álcool, etc.

  • NÃO É SAUDÁVEL a gente comprar MAIS UMA ÁGUA MICELAR se já estamos usando um produto.
  • NÃO É SAUDÁVEL a gente comprar mais uma paleta de sombras se já temos 10 paletas na gaveta.
  • NÃO É SAUDÁVEL a gente comprar mais um batom nude se já temos 8 batons nudes.

Eu não quero maquiar minhas carências e fragilidades com cuidados paliativos. Quero ter a capacidade de análise da minha própria vida e da minha personalidade e saber o que existe em mim que está precisando de atenção. E que quando sair para comprar algo seja porque realmente será útil pra minha vida, o consumo e uso consciente de alguma coisa.

Minimalismo

Minimalismo (algo que está bastante na modinha hoje em dia) é o quê? Não é ficar perguntando na internet se dá pra ser minimalista tendo uma Lava & Seca. Minimalismo é viver com o necessário. Não preciso de um armário só pra sapatos. Eu preciso de um sapato caramelo, um crú e um preto (talvez, um vermelho rs). Um chinelo, um tênis pra correr, outro pra passear. Não preciso ter 20 paletas. Preciso de uma com sombras brilhantes, outra com sombras opacas. Se eu já tenho, faço um esforço imenso pra não comprar mais e usar o que eu já tenho, senão elas vão vencer e não serão usadas. Minimalismo é a gente se perguntar antes de comprar alguma coisa se está comprando porque precisa ou se através dele a gente está alimentando uma outra coisa que não se dá conta, como:

  • carências
  • ansiedade
  • medo
  • solidão
  • auto-comiseração
  • etc.

É claro que sempre vai ter uma liquidação com coisas muito baratas e que pode valer muito a pena trazer pra casa. Mas que a gente tenha consciência do que está fazendo, sempre. A internet tem várias faces. Uma delas é a de te incentivar a consumir, através de cookies, de algoritmos e de blogueiras com as quais você se identifica. Mas sua felicidade maior não depende – ou não deve depender – de ter uma gaveta cheia de batons mate ou um armário cheio de sapatos, ou das marcas que você usa. A internet faz você justamente achar que depende.

Não deixe o marketing te doutrinar. Não seja escrava dos seus desejos consumistas. Enquanto você satura seu limite do cartão de crédito e faz um consignado para poder pagar a fatura depois, o mercado enriquece às suas custas. 

Tenho pensado muito nisso tudo e ficado um pouco assustada com tanto consumismo estampado no YouTube. Isso não pode ser normal. Já notou? Pouco conteúdo e muita vitrine, é só o que a gente acha por lá.

Este post foi publicado em: Discussões

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Sou a Melissa, paulistana, administradora por formação - mas é quando estou fotografando e escrevendo que estou sendo quem eu quero ser. ♥

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