Relacionamentos
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Quando você percebe que está mais feliz sozinha

Vamos começar este texto e vamos ver se você vai conseguir termina-lo. Vai ser um pouco difícil de digeri-lo, se você se identificar com ele. Com um relacionamento que era seu ideal de vida, seu sonho, fazia parte de tudo o que você sonhava. E não era muito, o que você sonhava. Apenas ter um lugarzinho pra vocês morarem e uma relação saudável, com todos os ah e os ais, com as brigas e as reconciliações, com os erros, os acertos, os defeitos de um e de outro e as coisas maravilhosas de um e do outro – e a evolução, juntos e individualmente. Mas que por algum motivo, todo dia é uma batalha energética onde você sente todas as suas energias sugadas, como se alguém tivesse vindo com um canudinho e literalmente sugado toda sua luz. Você está opaca. Você está fraca. Você está triste. Provavelmente se não está em depressão, está caminhando pra uma. E é provável que eleja algum momento do seu dia para chorar, botar pra fora seu desespero e seu cansaço. Você não tem ideia do que fazer pra melhorar, não sabe o que vai ser de você. Suas frustrações (ou seja lá o nome que você queira dar para este vazio e solidão que sente) vão se tornando um monstro, cada dia mais incontrolável e mais amedrontador.

Aconteceu comigo* porque eu queria ser mãe. E porque dia após dia, eu e meu marido nos afastávamos cada vez mais. Enquanto isso, meu desespero em ser mãe tornava-se incontrolável, porque este relacionamento, ao qual eu me uni por amor e por nenhum outro motivo e a recíproca até então era verdadeira – era a minha única chance de ser mãe antes dos 40 anos. É duro olhar as outras mulheres se deleitando em suas experiências maternas, com todo o direito que elas têm, sentindo aquele serzinho crescer em suas entranhas, e comigo a coisa não sair do lugar. Quando tinha pouco mais de 30 eu me casei e logo após o casamento comecei a sonhar com bebês. E um dia, tive o sonho que me deu o nome do meu filho, e o rosto quando ele tivesse 7 anos. Eu, eu só tinha isto. A vontade e o sonho que parecia ser só meu. Dias se passavam e nos afastávamos cada vez mais, sem nenhuma explicação por mais que eu tentasse entender . Meus esforços em tentar o restabelecimento e a restauração do relacionamento foram vários, intensos, frequentes. Ele estava sempre de mal humor, sempre com alguma indisposição e não se interessava por mim. Não me olhava. Não me tocava, não me beijava. Eu tentava seduzi-lo com uma camisola bonita e me sentia ridícula, pois não havia resultado algum. E então eu me refugiava no meu computador e nas minhas atividades. Até que um dia, não deu mais.

Chegou a fase que eu temia, contra a qual eu lutei pra não chegar, que é a da separação. Eu vivi meu luto por vários dias e semanas. Até que me lembrei de quando eu entrava no banho e tinha que sentar no chão, porque estava totalmente sem forças, sem energia, sem viço, sem fé, sem nada. E dentro de um casamento. Sem ter pra quem pedir ajuda, sem saber com quem poder me abrir, sem que eu o/a decepcionasse.

Há alguns dias atrás uma amiga me disse que não tinha me reconhecido em uma simples foto na frente do espelho. “Não sei, você está com um brilho que nunca vi antes”, ela disse. Eu posso explicar. Era o brilho que eu tinha deixado que me sugassem. Sou eu de novo. Eu continuo sem saber o que vai acontecer comigo. E agora, sozinha. Mas incrivelmente, sinto que colocaram minha alma de volta pra dentro de mim. E se você chegou até o final deste texto e se identificou com ele, eu lhe digo: não adie mais esta decisão. Faça o que for necessário para voltar a ser quem você é.  Eu digo, sem exageros, que sua vida depende disso.

* A autora do texto pediu para não ser identificada.

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