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Kathleen Hanna e o “tumulto feminino” do qual você também vai querer fazer parte!

Kathleen Hanna, nascida em 12 de Novembro de 1968 (quase dez anos antes de mim) em Portland, nos Estados Unidos, foi mais conhecida por ser a vocalista das bandas Bikini Kill e Le Tigre. No entanto, iniciou um legado pelo qual ainda hoje se luta: a voz e a marca feminista no mundo.

Quando adolescente já se interessava pelos direitos das mulheres, por literatura feminista e por filosofia – o que lhe beneficiou bastante na hora de escrever as letras das músicas para suas bandas e o que lhe levou a ser uma das principais atuantes do Riot Grrls Movement e escritora dos principais fanzines que integravam o movimento.

As letras das músicas, assim como os textos propunham reflexões sobre a beleza e a sexualidade, também tinham a intenção de tratar do assunto dentro do universo punk rock e influenciaram e marcaram a juventude de muita gente.

“Aprendi que não precisava seguir referências externas e que a idéia de ser quem eu quisesse ser e fazer absolutamente tudo o que gostaria não se aplicava só aos meninos”

Stevie Feliciano, Hudson Park Library

O movimento Riot Grrl, do qual ela também fez parte,  emergiu nos anos 1990, quando um grupo de mulheres em Washington iniciou um grupo para discutir como tratar o sexismo na cena punk. Elas queria começar um “tumulto feminino” contra uma sociedade que sentiam que não lhes validavam suas experiências e pensamentos. Assim nasceu o Riot Grrrl Movement, que acreditava no engajamento ativo das meninas na produção cultural, criando suas próprias músicas e fanzines em vez de utilizarem materiais já existentes. Bikini Kill e Le Tigre eram duas das bandas integrantes ao movimento e Kathleen Hanna, uma das ativistas – inspiradora e influenciadora de muitas meninas da época, hoje com seus 40 e poucos anos. Seu pai mudou de profissão várias vezes, fazendo com que a família também precisasse mudar de cidade frequentemente. Sua mãe, dona de casa e atuante na igreja, ajudava mulheres vítimas de violência doméstica – mas não foi sua influenciadora. Na real, foram as primeiras revistas feministas que surgiram na época que acenderam em Kathleen a inspiração pela causa feminista. Ela costumava recortar artigos e posteres das revistas e colocar na parede, coisas com dizeres como “meninas podem fazer o que quiserem”. Sua mãe então começou a levá-la a eventos onde ela tinha um auditório inteiro de mulheres para quem ela podia gritar seus ideais, quando sentiu que queria fazer isso para sempre.

Kathleen, que fez um aborto aos 15 anos (e defende a liberdade das mulheres de optarem pelo aborto se quiserem), trabalhou no Mac Donalds e foi stripper para pagar por sua formação em Fotografia. Em 88, fundou uma galeria de arte feminina junto com outras amigas, onde rolava shows de bandas locais. Foi então que ela e as duas co-fundadoras do local começaram sua própria banda de punk rock. Embora ela estivesse trilhando seu caminho de expressão daquilo em que acreditava e por que lutava através das imagens, mudou seu foco para a música depois de seu primeiro contato com a escritora Kath Acher. Quando esta lhe perguntou por que ela buscava interpretar a poesia e a resposta foi: porque sinto como se nunca tivesse sido ouvido e tenho muito a dizer. Foi aconselhada então a montar uma banda e foi o que fez, até nascer Bikini Kill, sua banda mais proeminente.

“That girl thinks she’s the queen of the neighborhood
She’s got the hottest trike in town
That girl she holds her head up so high
I think I want to be her best friend, yeah”

Rebel Girl – Bikini Kill

Photo: Pat Graham

Apesar do discurso feminista sempre presente em suas letras, Bikini Kill ainda enfrentava manifestações sexistas em um meio predominantemente masculino. Em 1997, um projeto paralelo a levou a gravar um album solo chamado “Julie Ruin“, com letras aplaudidas pela crítica por suas temáticas anti violência doméstica e feministas.

“Maybe I will say, I want to be with you
Maybe I will cry, alone as if on cue
Maybe I will try and then just walk away
Maybe I will spy the sky on a special Sunday

Maybe I want roses more than water and to be a
Loving father’s daughter
Maybe I want something much more like a
Brownie sundae party behind closed doors or
A typewriter palace with a shark filled moat
Maybe I’ll be hoaxed by my own demis
“I hear she saw a cliff and kept on driving
Maybe I’m more hell-bent on living than I am surviving
Pauses, places, causes, houses
Tigers, plants and bow ties blouses
Billie Jean’s outragous choices
Silver linings without voices
It’s true. I’m due”
Roses More Than Water/The Julie Ruin

Kathleen, hoje casada com Adam Horovitz, o cara do Bestie Boys, tida como umas das primeiras compositoras feministas do punk rock, líder de duas bandas (Bikini Kill e Le Tigre) e também uma das artistas associadas ao movimento Riot Grrl, se mantém como uma das mais importantes musicistas feministas por várias décadas. Sua popularidade só cresce, ao ponto de receber várias e várias cartas de novos artistas da cena pop que a tem como verdadeira inspiradora, instigando-os a, como ela, perseguirem seus próprios e autênticos caminhos e fazerem suas escolhas – conscientes de quem são.

Le Tigre

“Tento ser presente e participar deste momento e muitas vezes penso: uau, eu pude ser uma ponte para esta pessoa – e isso é uma das coisas mais incríveis que pude fazer na minha vida”.

 

Photo: Piotr Redlinks para New York Times

“Because I believe with my wholeheartmindbody that girls constitute a revolutionary soul force that can, and will, change the world for real” 

Riot Grrrl Is 44.

(Esta é uma das frases do Riot Grrl Manifesto – leia ele inteiro aqui).

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