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Aprenda a driblar suas expectativas

Source: uma foto & um poema

Os motivos pelos quais nós nutrimos altas expectativas sobre situações e pessoas, são vários. Isso pode ser fruto de um desejo interno e muitas vezes não consciente que nós temos – outras vezes bastante consciente e até reprimido. Um exemplo é quando temos uma grande expectativa de ganhar na mega-sena, porque desta forma teríamos dinheiro para “comprar nossa felicidade” – porque atualmente somos infelizes atrás de um computador, reprimindo nossos desejos e vocações verdadeiras e deixando nossos planos de lado. Então tudo vai por água baixo em todas as nossas tentativas frustradas de ter o bilhete premiado.

Outra possibilidade que fomenta nossas expectativas lá em cima poderia ser um nível de exigência em relação aos outros de acordo com nossos próprios esforços. Fácil de entender: você se considera uma pessoa íntegra, ou você é bastante solícita, está sempre ajudando os outros e sem perceber nutre em relação às pessoas com quem convive expectativas de acordo com sua personalidade, com seu jeito de ser. Isso sem falar na paixão, que automaticamente leva nossas expectativas ao nível máximo e quase não conseguimos raciocinar. Quantas vezes você imaginou pegando a fila do cinema de mãos dadas com alguém com quem estava saindo? E os futuros filhos, e a futura casa, o casamento?

São várias as razões pelas quais nós criamos altas expectativas. Fato é que existem consequências, que vão de decepções pequenas, grandes, desapontamentos diversos, depressão e até crises de ansiedade.

A Psicóloga Lana, de 58 anos, é mãe de duas filhas. A mais velha casou-se com 35 anos. Às vésperas do casamento, Lana conta que teve sintomas de um infarto: “Tantas eram as coisas pra cuidar, tantas preocupações e tanta ansiedade principalmente minha, para que tudo fosse absolutamente perfeito e desse certo, que quase não pude estar no casamento”. Felizmente, o susto foi apenas um alarme falso. Mas Lana confessou: “Eu estava muito orgulhosa porque poderia mostrar para minhas amigas e meus parentes que estava casando uma filha, do jeito que ela sonhou mas também do jeito que eu sonhei: igreja, véu e grinalda, sofisticação. Poderia não ter sido assim. Poderia ter sido bem pior: eu sufocá-la com as minhas próprias expectativas, se ela tivesse outros planos”.

Mais tarde, já casada e já passados alguns anos, o casal decidiu viajar o mundo e a crise de ansiedade de Lana voltou, desta vez por ter que adiar o sonho do primeiro neto. Raíssa, a filha, nos contou que inúmeras foram as ligações da mãe perguntando sobre seu período fértil, sobre enxoval para bebê, sobre orações para engravidar, etc: “Quando fizemos as cortinas de casa, nós não fizemos a cortina do terceiro quarto, que será para o bebê, porque não sabíamos exatamente qual estilo nós gostaríamos de usar ali. Foi a primeira pergunta que a minha mãe fez quando nos visitou: por que o quarto do bebê não tem cortina?”. Esta situação fez com que Raíssa perdesse a concentração nos momentos íntimos com o marido, por causa da obsessão por ter que engravidar e de pensamentos sucessivos de não ter tempo, não conseguir ou por algum motivo não conseguir dar o neto que a família esperava. “Engordei 7 quilos, me tornei compulsiva por doces, café e carboidratos e tornei a vida do meu marido um verdadeiro terror”, diz.

Esta foi a história de Lana, uma mãe um bocado ansiosa e sua filha Raíssa. Mas poderia ser a história de muitas outras pessoas e situações que nos geram altíssimas expectativas e por consequência,  grandes decepções e uma insuportável ansiedade que pode nos custar a saúde.

Como fugir disso?

Geralmente, quando nutrimos altas expectativas sobre algo, alguém ou alguma situação, estamos tratando de um grande desejo, um grande sonho, uma frustração, um ponto fraco. Quando estamos fortes, quando estamos bem resolvidos (por bem resolvidos entenda: planos, objetivos, ações e desejos totalmente alinhados), não damos margem a nada que vai além daquilo que planejamos, aonde sabemos que nossos passos vão nos levar – aonde queremos ir, com quem queremos andar. Não esperamos que os outros venham preencher nossas lacunas. Nós nos responsabilizamos, cuidamos e sobretudo, temos consciência delas.

Daisy Jane

Source: uma foto & um poema

Nutrimos altas expectativas quando queremos justamente saber onde o caminho vai dar. Quando estamos à esmo.

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Source: uma foto & um poema

Expectativas sobre nossas carreiras, sobre nosso futuro, sobre nossos relacionamentos e o que as pessoas com quem convivemos pensam sobre nós, o que sentem sobre nós. Se elas vão nos fazer mais felizes de um jeito ou de outro. Claro que isto não é uma regra. Nós somos humanos e nutrimos expectativas quase que naturalmente. Como elas vão impactar a nossa vida é uma escolha nossa. É preciso que entendamos algumas coisas:

  • Cada um de nós é único e diferente. Cada um de nós tem sua história de vida, com experiências e vivências que moldam nossa personalidade e nossas atitudes. É injusto achar que sua amiga que optou por não ser doadora de órgãos é uma pessoa “ruim”. É mais fácil se pensarmos que muitas vezes existem razões por trás das atitudes dos outros que jamais imaginamos que existam.
  • Ter o máximo de consciência possível das nossas fraquezas, dos nossos pontos fracos, daquilo que nos frustra, evita que demos passos em falso. Assim você vai nutrir expectativas com as pessoas e situações certas, além de evitar as erradas.
  • Viver o agora e aproveitar cada instante nos ajuda a não prestar atenção demais no depois. O depois pode não existir (você pode trocar de profissão, de relacionamento y outras coisitas más). Curtir o dia de hoje, curtir a companhia com quem estamos, o programa que estamos fazendo, estarmos inteiros AGORA, não dá espaço pra pensar em depois.
  • Sabermos que ninguém neste mundo tem a responsabilidade de nos fazer felizes. Esta é uma escolha nossa.
  • Saber que até o Papa erra. Até a Angelina Jolie, erra. Todo mundo faz bobagens de vez em quando. Se todo mundo faz bobagens de vez em quando, você também faz – dito isso é outra bobagem criar altas expectativas em relação à alguém ou alguma coisa.
  • Não temos o controle de tudo. Isso é um fato!

Decepções

Como dissemos acima, todo mundo erra, todo mundo se confunde de vez em quando. Todo mundo espera uma coisa e às vezes dá em outra, totalmente diferente do que havíamos imaginado. O que difere pessoas de sucesso das outras é a maneira como elas encaram o limão que a vida lhes deu. Umas fazem uma bela limonada, enquanto outras passam boa parte do tempo se lamentando. As pessoas bem sucedidas sabem que é perda de tempo sofrer antes. É pura perda de tempo nutrir expectativas, porque as bases onde nos apoiamos são frágeis – muitas vezes inexistentes.

Mesmo assim, ninguém está livre de decepções de vez em quando. A saída para bloquear este sofrimento é uma segunda chance, com pés no chão. Aprender a perdoar aos outros e a si mesma e sobretudo ter consciência da raiz das nossas falsas expectativas. Muitas vezes sem perceber idealizamos tanto uma pessoa ou uma situação, que qualquer ponto fora da curva se torna uma grande decepção.

O melhor caminho para não sofrermos antecipadamente é o autoconhecimento e a serenidade. Você pode se imbuir das “armas” que quiser. Um coach, meditação, orações, trabalho voluntário, a escrita, a música, yoga, cozinhar, beijar, a contemplação. O importante é que tenha consciência das suas limitações, dos seus pontos fracos, dos seus desejos, de quem e  como você é – o que é possível, o que não é. O que está sob nosso controle, o que não está? E também é importante que se responsabilize pela própria felicidade. Pensando assim, criamos menos expectativas – ou melhor, expectativas reais de acordo com planos de vida concretos.

Desafio!!!

Você tem consciência das expectativas que nutre em relação aos outros ou a uma situação que foge do seu controle? Ter consciência disto já é um grande passo para a limpeza emocional. Conte em um post no Facebook um caso em que conseguiu ter consciência desta prática e aliviar a ansiedade e marque o @LadyBusyBee (ou publique o link nos comentários)!

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